quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Devemos nos calar?


Estamos vivendo, acredito, em um momento que é dos mais delicados em nossa geração. O crescimento da violência, da desvalorização da vida, do pouco caso com a dor dos outros, tem aumentado terrivelmente. E, por isso, eu pergunto: devemos nos calar diante de tanta coisa errada que temos visto?

Sabe, quando vemos pessoas, ou até mesmo entidades, nas quais deveríamos acreditar e, inclusive, esperar que fossem a voz de enfrentamento nesse mundo que está se autodestruindo, e não o fazem, então é que percebemos como as coisas realmente não vão bem. Vejam só: olhamos para a política, e ficamos desesperançosos por conta de leis que nem entendemos bem, e pelo fato de que nem sempre os que são mais votados e, portanto, deveriam ser a expressão da vontade da maioria, são os eleitos. Vemos ainda, num país como o nosso, a prática de um racismo velado, disfarçado o que faz com que haja a necessidade de termos delegacias especializadas em cuidar daqueles que são chamados de vulneráveis, ou seja, crianças, mulheres ou idosos. Mas será que esses “vulneráveis” não deveriam, naturalmente, receber uma atenção especial da própria sociedade? E, como se não bastasse, ainda vemos a religião, que deveria ser o lugar do nosso reencontro com Deus através do preço que já foi pago na cruz do Calvário, ou seja, o sangue de Jesus derramado na cruz, praticamente querendo cobrar das mais diversas formas para que alcancemos aquilo que já nos foi dado por Deus, e é nosso por direito, se compreendermos e aceitarmos Cristo como Senhor de nossa vida.

Será que, em nome da politica da boa vizinhança, devemos nos calar? Devemos ver os nossos jovens entrando precocemente na prática sexual e, em nome de sermos modernos, ficarmos calados? Esses mesmos jovens, ainda em fase de descoberta de identidade, chegam a sua casa pela madrugada e os pais não devem falar nada? Devemos assistir pessoas simpáticas usarem de tal simpatia para confundir a fé das pessoas e ainda fazerem uso dos momentos de fragilidade e ignorância espiritual de muitos, e não fazermos nada? Acho que temos, sim, o que fazer!

Em primeiro lugar, devemos fazer da nossa casa, do nosso meio familiar, um lugar de resistência a essa cultura que nos tem sido imposta, ou seja, a cultura do aceitar tudo em nome da modernidade ou em nome de “continuarmos bem na fita”. Depois, creio que devemos observar o que pode ser feito em nosso universo pessoal, começando, por exemplo, em tomar a decisão de não nos calarmos diante de pessoas que praticamente estão nos pedindo socorro, opinião, aconselhamento. Muitas vezes o nosso corre-corre não nos permite “gastar” tempo com aqueles que só precisariam de uma palavra de orientação de alguém que tenha a coragem de ir de encontro aos padrões estabelecidos por esse mundo. Devemos também não nos calar quanto a nossa fé em Cristo Jesus, pois, se de um lado nos acusam de fanáticos e até mesmo de utópicos, porque confessamos a nossa fé, e ainda dizem que devemos deixar nossas crenças longe dos debates sociológicos, por outro lado, muitos se acham no direito de confessarem a sua descrença em Deus, fazendo apologia a uma vida de achismos e, sutilmente, tentando seduzir as pessoas com uma forma de viver sem responsabilidade para com os outros e nem para consigo mesmo. O resultado disso é que temos visto nascer em nossa sociedade um tipo de homem cada vez mais descompromissado com o seu semelhante.

Não, não devemos nos calar! Vamos falar! Falar o que? Falar do amor… Não de um amor apenas cantado ou recitado, mas de um amor que aparece nas atitudes, inclusive nas mais simples atitudes. Falar o que? Falar que Deus é amor, e que o seu amor é incondicional, capaz de ir além das religiões, das ideologias, dos dogmas, das filosofias, das raças, do sexo. Sim, o amor de Deus é para todos. E esse amor é que deve nos constranger a mudar cada vez mais, para melhorar a nossa forma de viver.


Autor: Pastor Luiz Antonio
fonte:www.luizantoniosilva.com.br
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